Neste texto, vamos nos restringir
à Síndrome de Asperger que é um transtorno do desenvolvimento que resulta de
uma desordem de base genética, uma perturbação que tem componentes neurológicos
e comportamentais. É mais comum no sexo masculino e diferencia-se do autismo
clássico.
Esses transtornos afetam a
capacidade de comunicação do sujeito, comprometendo, consequentemente, a
interação com outras pessoas de modo a prejudicar sua socialização. Por esta
razão, geralmente são descritas como pessoas fechadas, que não se interessam em
fazer amizades. Na fase da infância, por exemplo, uma forma dos pais perceberem
ter chegado o momento de buscar ajuda profissional é quando a criança não
interage com outras e os professores relatam que ela não encaixa em nenhum
grupo.
Ainda sobre a inabilidade para se
comunicar e estabelecer contato, podemos acrescentar que isto faz com que o
indivíduo dê respostas inadequadas ao ambiente. Ademais, “O Asperger” tem
problemas em expressar seus sentimentos, emoções. Não consegue demonstrar seu afeto.
Isto, porém, não nos permite afirmar que não sinta afeto. Sua expressão
gestual, corporal, facial geralmente não corresponde com seu discurso. Dá-nos a
impressão de não ter capacidade de empatia, fazendo com que todos dele se
afastem. Apesar do que pensam muitas pessoas, o “Asperger” não tem retardo
mental. Pelo contrário, tem um alto nível de inteligência, podendo ter muito sucesso
na carreira profissional, apesar da dificuldade em interpretar palavras, já que
seu processo de interpretação da linguagem se dá de uma forma muito literal. Ou
seja, é como se ele entendesse “as coisas ao pé da letra”, sem compreender o
sentido metafórico, figurado dos termos.
Outra característica perceptível
no comportamento de um “Asperger” são seus movimentos desajeitados, desastrados
como se não tivesse coordenação motora. É possível notar isto, por exemplo, no
jeito descoordenado de andar.
Quando em processo de
psicoterapia, fica evidente outro comportamento típico da síndrome: seu
interesse específico, restrito por um determinado tema ou atividade. Em seu
discurso, observa-se um só assunto. Ele é capaz de ficar toda a sessão falando
da mesma temática. Desta forma, torna-se quase inviável o interesse por novas
experiências, novos assuntos.
As regras sociais são para “O
Asperger” quase que um martírio. Ele não consegue identificar o que é aceitável
socialmente e pode ser visto como uma pessoa mal-educada, ofensiva, grosseira. No
entanto, é possível desenvolver aptidão social para o aprendizado das regras.
Este aprendizado, porém, precisa se dá de uma maneira intelectual e não
emocional, ou seja, as regras têm que ser ensinadas como fórmulas, por um
método lógico como a matemática.
Pode-se também notar que não há
uma preocupação com a forma de se vestir, com a aparência.
E há como sanar essa deficiência
de aptidão social? Há como fazer “O Asperger” aprender as normas de convívio
social? Sim. Recomenda-se a psicoterapia cognitiva comportamental que dispõe de
técnicas que irão treiná-lo no aprendizado das regras adotadas em sociedade,
fazendo-o apresentar um comportamento mais compatível com o que o ambiente
exige, desenvolvendo habilidades sociais.
Este artigo foi uma tentativa de fazê-los
conhecer um pouco do mundo do “Asperger” e assim, sermos mais compreensivos com
seus comportamentos, atitudes e reações. Espero que tenham gostado!
Até a próxima!
Thatianny Moreira