A vigorexia, assim como a
anorexia e a bulimia, também decorre de uma autoimagem distorcida. O indivíduo
se excede na quantidade e na intensidade de exercícios físicos, de tal maneira,
que não dá ao corpo o tempo necessário para que este se recupere.
A vigorexia também é denominada
de Síndrome de Adônis. Adônis é um personagem da mitologia grega, um jovem de
grande beleza disputado pelas deusas Afrodite e Perséfone. O complexo de Adônis
é caracterizado por uma obsessão, de jovens e adultos do sexo masculino, em
manter o corpo perfeito.
Para atingir a perfeição, os
jovens fazem o uso de anabolizantes que são substâncias tomadas pela via oral
ou de forma injetável. Os anabolizantes geralmente derivam de um hormônio
masculino muito conhecido: a testosterona. Estimulam o desenvolvimento muscular
e ósseo, acentuam o apetite e a força. Quando administrados com fins indevidos,
podem elevar a taxa de colesterol, aumentar a pressão sanguínea, provocar o
surgimento de acne e até mesmo modificar a morfologia do coração.
Como dissemos, o vigoréxico é
alguém que tem um problema na autoimagem. Ao olhar-se no espelho, não vê alguém
forte, grande, ainda que já tenha obtido músculos imensos por todo o corpo.
Quando solicitado a fazer uma auto-descrição, define-se como uma pessoa fraca,
pequena. É exatamente isto que gera um transtorno em seu comportamento, já que
a partir daí, ele irá buscar meios para alcançar essa força e grandeza.
O vigoréxico acaba por afastar-se
de seus compromissos sociais, já que sua agenda torna-se completamente
direcionada à prática de atividades físicas. A academia é o único local onde o
indivíduo se sente satisfeito. Além da alteração em sua vida social, sua
alimentação passa por uma transformação e é marcada pela presença constante de
dietas e uso de suplementos alimentares. O indivíduo que sofre de vigorexia
preocupa-se em levar sua própria comida para uma festa para a qual foi
convidado, por exemplo. Estes são alguns dos indícios que servem de termômetro
para você chegar à conclusão de que precisa pedir ajuda.
E o que poderia acarretar o
aparecimento deste transtorno? A pressão cultural de padrões rígidos de corpos
perfeitos e sadios é uma das possíveis respostas. Esta pressão gera um elevado
nível de ansiedade em corresponder com este ideal. Com os exercícios, a pessoa
tenta se libertar da ansiedade que a aflige, mas, ao mesmo tempo, os exercícios
a viciam, já que liberam a endorfina: enzima responsável pela sensação de
bem-estar que, quando em alto grau no organismo, pode acabar provocando uma
dependência psíquica e emocional à prática da atividade física. A cabeça funcionaria
mais ou menos assim: “Só me sentirei bem, se eu me exercitar muito. Se não me
exercitar intensamente, não terei uma sensação de bem-estar”.
A sabedoria popular já sabe: tudo
o que é feito em demasia, não faz bem. Portanto, fica fácil concluirmos que
exercícios em excesso não trarão bons resultados. Pelo contrário, você pode
ganhar no futuro um diagnóstico de arritmia cardíaca ou uma doença arterial
coronária. Pensando nisto, precisamos ter em mente que atividades pesadas devem
ser intercaladas com períodos curtos de descanso. Também é importante
lembrarmos que o que é bom para o outro, pode não ser o melhor para mim. Muitos
fatores devem ser levados em consideração no momento de decidir qual atividade
física vamos fazer: nossa idade, nosso tempo disponível, nossas atribuições
profissionais, nosso histórico de saúde, nossos compromissos de um modo geral,
enfim, nosso contexto. E o contexto considera como está configurada a vida de
cada um.
E não esqueça! Da mesma forma que
na anorexia e na bulimia, a psicoterapia e o acompanhamento por profissionais
da Nutrição e Psiquiatria são fundamentais.
Até breve!
Thatianny Moreira