Ruminar também tem este significado no dicionário:
o ato de refletir, mais demoradamente, sobre algum assunto. Digo também,
justamente porque seu significado mais comumente usado faz referência aos
animais ruminantes (bovinos, veados, girafas, camelos). Estes animais têm o
estômago dividido em quatro cavidades: pança ou rúmen, barrete, folhoso e
coagulador. Quando eles comem, praticamente não mastigam as ervas do pasto. As
ervas ficam acumuladas no rúmen. Mais tarde, eles fazem o alimento retornar à
boca e é como se dessem sequência ao processo de mastigação. Nos ruminantes,
isto ocorre de uma forma natural.
Contrariamente, nos seres humanos tal
fenômeno não é considerado algo natural. Tanto não é que está enumerado no
Manual de Classificação Internacional das Doenças: CID. O código que faz menção
ao transtorno de ruminação é o F. 98.2. Trata-se de um Transtorno Alimentar,
porém, quando os sintomas ocorrem, de modo exclusivo, no curso de uma anorexia
ou bulimia, o Transtorno de Ruminação não pode ser dado como diagnóstico.
Na Psiquiatria, a ruminação é uma “forma
obsessiva de pensamento na qual as mesmas ideias ou temas se repetem, excluindo
outros tipos de atividade mental” (http://www.dicionarioinformal.com.br/ruminação/). Nela geralmente, a pessoa
encontra-se deprimida. Aqui, verifica-se a importância da psicoterapia.
Os sintomas típicos deste transtorno não são
devidos a nenhuma condição gastrointestinal ou qualquer outra condição médica,
ou seja, não há uma disfunção do funcionamento gastrointestinal ou de outro
órgão do corpo. É apresentado, em sua grande maioria, em bebês, mas também pode
se manifestar em pessoas mais velhas, principalmente quando há algum retardo
mental.
Por não haver um correspondente fisiológico,
faz-se imprescindível a busca de fatores de ordem emocional, psicossocial.
Percebe-se que o transtorno se manifesta em pessoas com dificuldades na relação
filho-pais, submetidas a situações de vida estressantes, bem como, quando há
negligência ou falta de estimulação na condução da educação (dos cuidados
básicos e necessários ao desenvolvimento) da criança.
Segundo pesquisas, ocorre com mais frequência
em pessoas do sexo masculino. Mas não é um transtorno muito comum. Está mais
relacionado a atrasos nas fases de desenvolvimento da criança. A idade de
início está em torno dos 3 aos 12 meses.
Algo instigante nesta doença é que a pessoa
acometida não sente repugnância ao ato. Também não há esforço para vomitar e
nem são sentidas náuseas. O fato de não sentir repugnância, nem náuseas, nem
vômitos não implica em dizer que não haja perigo à saúde da pessoa. Pelo
contrário, há risco de morte, já que pode haver perda de peso e consequente
quadro de desnutrição.
Devemos fazer o seguinte questionamento: Se
ruminar é trazer de volta algo que não ficou bem mastigado, o que estou tendo
dificuldade de digerir? Por que as mesmas ideias voltam a rondar meus
pensamentos? O que não estou tendo condições de captar da primeira vez que a
mensagem me chega e que me faz necessitar de um retorno da mesma mensagem? Se o
que retorna é algo que não consegui modificar em um primeiro momento, o que
está me faltando para conseguir?
Ruminar faz referência a pensamentos
circulares no sentido de que retornam, circulam, vão e vêm. Esses pensamentos
atormentam a pessoa, causam insatisfação, desconforto, além de desperdiçarem o
tempo. É certo que as nossas decisões não devem ser tomadas logo em decorrência
de uma primeira reflexão. Muitas decisões requerem um pensar mais elaborado.
Mas é certo também que ideias que se repetem e martelam em nossas mentes
insistentemente são tidas como obsessões que caracterizam uma vida não
saudável. Por isso mesmo, aquilo que vai e volta sem fazer parte de um processo
natural da vida é preocupante. Por esta razão, necessário se faz romper este
processo, resgatando a trajetória normal e quebrar o ciclo dos sintomas da
ruminação.
Espero ter levado a vocês uma noção do que
seja o Transtorno de Ruminação.
Até nosso próximo texto.
Thatianny Moreira.