A manifestação da doença se dá
com a alternância de duas fases: uma de depressão e outra de agitação. Na
depressão, o sujeito fica com os sintomas típicos de um quadro depressivo,
podendo chegar à tentativa de suicídio, dependendo da gravidade do estado. Já
na fase de agitação, o comportamento da pessoa acometida é acompanhado por
hiperatividade e até mesmo agressividade, podendo chegar a quebrar objetos do
local onde se encontra.
Para termos uma melhor noção dos
sintomas típicos de cada fase, citaremos alguns deles. Na fase depressiva:
dificuldade para dormir, sentimento de inutilidade, fadiga, dificuldade para
concentrar-se, perda de interesse em realizar as tarefas do cotidiano, lentidão
para realizar as atividades. Na fase da euforia: agitação, auto-estima elevada,
sensação de que os pensamentos estão acelerados, diminuição da necessidade de
dormir, falar intenso, irritabilidade, impaciência.
Geralmente, a pessoa que convive
com um paciente bipolar sente-se confusa, já que o temperamento varia com certa
constância. Isto faz com que a pessoa tenha a sensação de estar lidando com
duas personalidades diferentes. Ponto extremamente delicado e que
precisa ser respaldado com orientações de como se deve proceder com o bipolar
em cada um desses momentos.
Há uma necessidade imprescindível
de medicação no controle desse estado de alternância de humor, pois, quando não
estabilizado pelos remédios, o paciente pode apresentar surtos psicóticos. Durante
o surto, observa-se a ocorrência de alucinações e delírios, ou seja, o
indivíduo fica com seu processo de percepção da realidade completamente
comprometido. É como se ele perdesse o vínculo com o mundo real, vendo e
ouvindo coisas que não existem ou distorcendo a percepção dos objetos que
visualiza, dando interpretações, significados incompatíveis com o que realmente
acontece no ambiente externo.
A Bipolaridade pode apresentar-se
acompanhada com outros problemas: uso e abuso de álcool e outras drogas, agravando
mais ainda o estado do paciente, já que, dependendo do tipo de droga consumida,
o grau de euforia pode ficar mais intenso e a atuação da medicação no organismo
fica prejudicada. Todos sabem que remédio e álcool nunca foi uma combinação
recomendável, tornando-se mais distante
a possibilidade de contenção dos sintomas e a obtenção de uma estabilidade do
quadro. Sem esta estabilidade, a ajuda médica ficará limitada em todos os
sentidos: no sentido medicamentoso e no da própria interação do médico com o
paciente na condução do tratamento.
E como este transtorno pode
surgir? Seu “aparecimento” é devido não só a fatores de ordem genética e congênita
como também aos de ordem psicossocial. Por isso, a importância de checar os
antecedentes familiares durante uma entrevista inicial.
O Transtorno Bipolar causa sérios
problemas em virtude da incapacitação que gera na pessoa acometida, tirando-a
de circulação social. A incapacitação acaba afastando o sujeito, por exemplo,
das suas atividades laborais. No entanto, não podemos deixar de reconhecer os
ganhos advindos com um tratamento sério e contínuo: prevenção de suicídio, diminuição
dos períodos de hospitalização, redução das crises, melhoria da qualidade de
vida do paciente e dos seus familiares, desenvolvimento de habilidades sociais
e conhecimento de como lidar com as situações stressantes.
Evitar situações stressantes é
algo fundamental para o bipolar, já que a participação dos fatores ambientais
na eclosão de uma crise é inegável. O stress nesses casos funciona como uma
espécie de injeção propulsora do gatilho que detona a crise.
Necessário ainda se faz
esclarecer que apenas um tratamento psicológico, tendo a psicoterapia como
instrumento de atuação não é por si só eficaz. É, portanto, crucial o acompanhamento
por um profissional da Psiquiatria,
pois, como já esclarecido em textos anteriores, o psiquiatra é quem tem a
habilitação para receitar medicamentos e a presença destes é item indispensável
na busca de uma melhora de quem sofre deste transtorno mental.
Até nosso próximo texto!
Thatianny B. M. da Silva