Não queremos aqui defender a não
utilização de tais inventos. Sabemos que muitas dessas invenções vieram
facilitar a vida do ser humano, trazendo novas formas de comunicação que
puderam estreitar distâncias e amenizar a saudade ou mesmo o stress. Porém,
quando usados sem ponderação, podem causar transtornos diversos como, por
exemplo: dificuldade de socialização, timidez, alienação, comportamentos
agressivos, casos de obesidade e até mesmo acidentes de trânsito.
Os estudiosos da Neurologia
afirmam que aparelhos como o celular, os “vídeos games”, ipads e outros
fornecem pequenos estímulos que, ao promoverem a produção de substâncias como a
dopamina causa sensação de prazer em nosso organismo, podendo então, fazer-nos
dependentes. Isso explica o porquê de não conseguirmos nos desligar deles
e por isso, carregamos para onde pudermos. O problema tornou-se tão sério que
já existem até centros de tratamentos para os transtornos desencadeados em
virtude da dependência causada por tais produtos, como, por exemplo, o Centro
para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia na cidade de West Hartford.
A dependência é causada porque, a
cada mensagem, por exemplo, que recebemos em nossos celulares, ou a cada
partida de um jogo eletrônico que vencemos, nosso cérebro registra uma forma de
compensação, de reforço positivo que nos faz buscar mais e mais, em virtude da
sensação prazerosa que isso nos proporciona.
As crianças e adolescentes
tornam-se “presas mais fáceis” pelo seguinte motivo: o nosso cérebro amadurece
por etapas e a última a atingir a maturidade é a do córtex pré-frontal que é
responsável pelo autocontrole. É o autocontrole que vai nos capacitar a ter
domínio sobre os nossos instintos, impulsos. É ele que vai nos dar condições de
dizer “não” a algo.
O Programa A Grande Família, no
episódio exibido no dia 30 de agosto de 2012, representou com humor, mas com precisão, o quanto a
utilização desmedida dos aparelhos em questão pode provocar o distanciamento entre os familiares,
inviabilizando o diálogo entre pais e filhos, avós e netos. No episódio, eles
tentaram mostrar a importância de resgatar outras formas de diversão, de lazer
que ficaram para trás, “enterradas” no passado, mas que colaboram imensamente
para o desenvolvimento infantil e porque não dizer o desenvolvimento do ser que
já se encontra na fase adulta, já que somos seres com possibilidade constante
de amadurecimento.
E como saber qual o momento de
limitar o uso de tais invenções? Quando você perceber que elas estão deixando
de ser fontes de diversão e transformando-se em fonte de angústia, ou seja,
quando você fica triste, deprimido só pelo fato de não conseguir ter acesso a
uma internet, quando você fica extremamente irritado porque o seu celular não
funciona, quando você faz uma viagem de férias e não consegue sair do quarto do
hotel porque prefere ficar jogando o vídeo game que trouxe dentro da mala,
enfim, ao perceber que determinado aparelho passou a ser o centro de toda a sua
atenção e você ficou isolado das pessoas. Eu diria que, até mesmo muito antes
disso, você já deve tomar precauções, dosando a quantidade de horas do seu
tempo que você está disponibilizando para cada uma de suas atividades diárias.
E para finalizar, deixo aqui uma
sugestão: precisamos mostrar às nossas crianças que tão interessante como um
jogo eletrônico é tocar violão, ler livros, fazer palavras cruzadas, brincar de
esconde-esconde, de pega-pega, etc. É importante que apresentemos outras
alternativas de lazer.
Até nosso próximo encontro, Thatianny Moreira