Há situações emergenciais nas
quais se a medicação não for ministrada, a pessoa poderá ficar num estado ainda
pior de saúde, inviabilizando todas as áreas de sua vida ou mesmo
impossibilitando-a a realizar um tratamento complementar. Por exemplo, existem
níveis de depressão em que não é possível se dar início a um processo de
psicoterapia, pois a elaboração do pensamento, a organização das idéias está
tão comprometida que se torna inviável o estabelecimento de um diálogo com o
sujeito. Se o diálogo não é viável, imagine a percepção de pontos cruciais ao
processo de conscientização que servirá de base para a tomada de atitudes.
Entendo, porém, o medo que algumas
pessoas têm em fazer uso de alguns medicamentos. Além dos possíveis efeitos
colaterais, existe o medo de desenvolver uma dependência ao ponto de ter que
precisar de determinado remédio para o resto da vida. Mas o que é fundamental
vocês saberem é que, quando o acompanhamento é realizado por um profissional
competente, tanto o tipo de remédio quanto a dosagem e, além disso, o perfil do
paciente serão levados em consideração. Existe um cuidado, por parte do médico,
em evitar essa dependência e por isso mesmo, a tendência é que as doses
diminuam gradativamente.
É verdade que, em alguns transtornos mentais, por exemplo, a medicação será ministrada por toda a vida da pessoa, mas, em contrapartida, ela terá uma estabilização do quadro, ou seja, haverá um controle dos sintomas e da intensificação destes, de modo que a doença não evolua.
Ademais, o remédio auxilia na
reposição de substâncias químicas fundamentais ao funcionamento cerebral.
Quando estas substâncias se encontram em um baixo nível, muitas de nossas
funções podem ficar prejudicadas. O humor, por exemplo, é algo afetado quando
há uma queda na quantidade de serotonina disponível no cérebro. As ligações
sinápticas (comunicação entre os neurônios) são fundamentais para o “transporte”
das mensagens entre mente e corpo.
Como em tudo na vida, há aqui o outro lado da moeda: da mesma forma que existem pessoas que temem e evitam ir ao médico para não terem que tomar remédio, existem as que se automedicam. Chegam, sem receio algum, ao balcão de uma farmácia e compram o que “acham” que resolverá o seus problemas.
Com o avanço tecnológico e o
fácil acesso à informação, as pessoas fazem pesquisas pela internet. Com base Nas
informações obtidas, definem o seu diagnóstico e qual o medicamento que
solucionará a sua doença.
A automedicação gera graves
problemas à saúde pública. Vários são os casos de intoxicação. Sem contar com a
possibilidade de a automedicação resultar em morte. Há situações ainda na qual
a pessoa já está fazendo uso de outro medicamento que somado a outro, comprado
sem orientação médica, potencializa a ação de um deles, repercutindo em sérios
transtornos. Portanto, se administrados incorretamente, não apresentam os
resultados desejados e isso pode até mesmo prolongar o tratamento. O pior de
tudo é que ainda gera a má interpretação, por parte da pessoa acometida pela
doença, de que o medicamento não é bom.
Convém ainda lembrar que a
interrupção do remédio também não deve ser efetivada sem que o médico seja
consultado. Ele é a pessoa capacitada a analisar qual o momento ideal para a
retirada do mesmo. Por isso, jamais faça isso por conta própria.
E para finalizar: Lembrem-se:
Quando usados corretamente, os remédios são excelentes instrumentos
terapêuticos no combate às doenças; portanto, não os encare como inimigos, mas
sim, como mais uma ferramenta disponível na busca de uma vida saudável.
Um abraço a todos.
Thatianny Moreira- CRP11/1584