Ao solicitá-la para descrever o
comportamento da filha, percebi que o “diagnóstico”, traçado pela mãe, não
estava correto e que, caso eu não a alertasse, ela poderia ficar por mais
alguns dias em estado de aflição com relação ao estado de saúde da filha.
Da mesma maneira que esta
senhora, muitas outras pessoas se autodiagnosticam com base em informações do
senso comum que são completamente distorcidas, superficiais e incompletas, mas
que podem causar uma verdadeira confusão emocional, levando o indivíduo ao
desespero e, por vezes, à tomada de atitudes autônomas, porém, perigosas, como,
por exemplo, a automedicação.
Aliás, a prática da automedicação
tem se tornado cada vez mais comum, causando uma série de problemas, já que
muitos dos remédios usados no tratamento de tais transtornos acarretam efeitos
colaterais que podem deixar o sujeito ainda mais amedrontado. Por isso mesmo, a
passagem por um consultório médico é indispensável para uma correta e segura
avaliação.
Os transtornos obsessivo-compulsivos
são caracterizados por uma repetição voluntária de ações, porém sem justificativa
plausível por parte da pessoa. Essas repetições são uma espécie de ritual. São
atos motivados por razões infundadas, sem lógica alguma, sem coerência com a realidade.
As repetições são realizadas com o intuito de afastar os pensamentos ruins que
invadem a mente. As obsessões estão relacionadas com os pensamentos, ideias
ruins que atormentam mentalmente o paciente. Já as compulsões estão associadas
aos comportamentos repetitivos. É como se a uma obsessão (mental)
correspondesse uma compulsão (comportamental).
A pessoa acometida por esse
transtorno não consegue interromper os impulsos que a conduzem a repetir os
atos, sentindo-se impotente e, muitas vezes, constrangida.
A sensação de impotência em
relação a não ser capaz de intervir na situação e bloquear o ciclo repetitivo
gera um sofrimento psíquico intenso na pessoa que se vê cada vez mais com a autoestima
prejudicada. Outra característica desse transtorno está no fato do sujeito não
ter uma explicação racional e coerente para realizar as ações
obsessivo-compulsivas. Exemplo disto é a pessoa que acredita que deve concluir
sua caminhada com passos em números pares, senão, algo trágico irá acontecer
com ela; lavar várias vezes as mãos antes de sentar-se à mesa, pois, caso
contrário será acometido por uma invasão de vermes.
Além do enorme sofrimento
psíquico, o cotidiano daquele que tem tal transtorno fica comprometido, já que
a execução de determinados comportamentos repetidas vezes faz com que muito do
seu tempo seja perdido, atrasando-a em seus afazeres, atividades profissionais.
Pessoas com transtorno
obsessivo-compulsivo devem ser submetidas à psicoterapia e tratamento
medicamentoso, já que estamos nos referindo a um transtorno mental. Está
inserido entre os chamados transtornos de ansiedade e, por esta razão, são geralmente
usados ansiolíticos no tratamento. É feito também o uso de anti-depressivos,
como a sertralina, a fluoxetina, a paroxetina.
Os sintomas não desaparecem com rapidez, podendo levar até mesmo 12 semanas para apresentar algum resultado. Mas o tratamento não deve ser abandonado.
Quer aprender de uma forma mais educativa o que é transtorno obsessivo-compulsivo? Assista ao seriado americano Monk. É um bom exemplo! Monk é um detetive extremamente detalhista e com mania de limpeza.
Desejo que esses breves esclarecimentos o ajudem a afastar conclusões precipitadas e equivocadas.
Até breve.
Thatianny Moreira
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